segunda-feira, 11 de julho de 2011

DESAFIO DO GATO

Esta semana temos um novo desafio!

Mas antes vamos à resposta do “Desafio da Ilha da Sobremesa”.

A vencedora do desafio, Fernanda Villar, também foi a única destemida a arriscar uma tradução! Na verdade, ela sugeriu não uma, mas duas soluções para o problema! Parabéns, Fernanda!

Para publicar aqui no blog, escolhemos a que nos pareceu mais divertida e que casava melhor com a imagem (para saber qual foi a outra sugestão, basta dar uma olhada nos comentários do post de 29/06):




Notem que a piada original não precisava de uma explicação no texto, era uma combinação entre texto e imagem. Nós bem que tentamos adaptar a sugestão da Fernanda nesse sentido, deixando somente a referência ao coqueiro torto. Mas daí mostramos o quadrinho a algumas pessoas que não conheciam o texto original, para ver se elas sacavam... e não funcionou. Por isso, optamos por manter o trecho “e não torta de coco”.


Muito bem, o próximo desafio está na tirinha “Mutt & Jeff”, do Bud Fisher:

O desafio aqui é traduzir o primeiro quadrinho, sabendo que a intenção do autor foi misturar a expressão let me out (deixe-me sair) com o miado do gato (meow).

Lembrem-se de que não há uma única resposta certa, tudo depende da ousadia e criatividade do tradutor!

A melhor solução sugerida será publicada aqui no blog, com o devido crédito ao autor!
Participem e boa sorte!

domingo, 10 de julho de 2011

PEANUTS

Desde 2009 a L&PM Editores vem publicando os livros da série “Peanuts Completo: a coleção definitiva da obra-prima em quadrinhos de Charles M. Schulz”.

Peanuts é a mais famosa e, quem sabe, melhor tirinha de todos os tempos. Charlie Brown, Snoopy, Woodstock, Linus (e seu cobertor), Lucy, Schroeder (e seu piano), Patty Pimentinha, Marcie, Franklin, Chiqueirinho (Pig-Pen no original), Sally... Todos os personagens são inesquecíveis, até mesmo aqueles que nunca aparecem, como a Menina Ruiva ou a Grande Abóbora.

Seu criador, o gênio Charles M. Schulz, desenhou cada uma das 17.897 tiras durante os 50 anos em que elas foram publicadas, e morreu em 12 de fevereiro de 2000, isto é, na véspera do dia em que a última tirinha foi publicada!

A tirinha a seguir está no segundo livro da coleção da L&PM, que cobre o biênio de 1953 a 1954. A tradução é de Alexandre Boide e a tirinha, de junho de 1954, está na página 226:

O que chama a atenção é o fato de ser uma das raras tirinhas dos Peanuts em que vimos alguma expressão em inglês sendo mantida. No caso, Lucy canta a letra de “Blue Suede Shoes” de maneira errada: Won (one) four (for) the money, too (two) fore (for) the show, three two (to) get ready, and for two go (now go, cat, go).

Caso quiséssemos traduzir os três primeiros quadrinhos, teríamos dois problemas:

1º problema: A música, uma gravação muito famosa de Elvis Presley, teria que ser substituída por outra cuja letra fosse imediatamente reconhecida pelo público brasileiro. A solução talvez pudesse estar em substituí-la por uma canção infantil, do tipo “Atirei o Pau no Gato”, ou quem sabe usar clássicos como “Emoções” do Roberto Carlos (o equivalente do Elvis no Brasil?) ou “Garota de Ipanema”, do Tom e Vinicius.

2º problema: O humor infantil da piada vem justamente do fato de que, por causa da homofonia de algumas palavras, a Lucy escuta corretamente a palavra cantada, mas pensa em uma outra (e assim, claro, não entende nada da letra). Nós bem que tentamos encontrar palavras homófonas em “Garota de Ipanema” ou em “Atirei o Pau no Gato”, mas falhamos miseravelmente.

Manter o texto no original, neste caso, provavelmente foi uma decisão muito sábia: ainda que o leitor da tirinha não saiba inglês, a piada continua funcionando, já que, como a Lucy, não vai entender nada da letra...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

OPORTUNIDADE PARA TRADUTORES

Foi publicado hoje, no Diário Oficial da União, o edital do “Programa de Apoio à Tradução e Publicação de Autores Brasileiros no Exterior”, da Fundação Biblioteca Nacional.

Serão oferecidas bolsas de apoio à tradução e publicação de obras de autores (as) brasileiros (as) às editoras estrangeiras que desejarem traduzir, publicar e distribuir, no exterior, livros impressos previamente editados no Brasil em português.

Essa é uma excelente oportunidade para todos os tradutores. Contudo, parece que os contatos deverão ser feitos diretamente com as editoras estrangeiras.

De acordo com o edital, a editora interessada em inscrever-se no programa deverá enviar à Fundação Biblioteca Nacional uma série de documentos, incluindo o currículo do tradutor contratado (em português) e uma cópia do contrato de tradução da obra feito pela editora com o tradutor encarregado de fazer a respectiva tradução. O currículo do tradutor será ainda um dos critérios de seleção dos projetos encaminhados ao programa.

Leiam a íntegra do edital aqui.

O Programa foi lançado pelo Ministério da Cultura na 9ª Festa Literária de Paraty (FLIP). Vocês podem ler as reportagens sobre o lançamento do Programa nos links do jornal O Globo, do jornal Zero Hora e da página da Fundação Biblioteca Nacional. 

terça-feira, 5 de julho de 2011

HEMINGWAY E O SHERIFF

Há uma coluna no suplemento “Segundo Caderno” do jornal O Globo chamada “Há 50 anos”. Nela, são publicados trechos de notícias importantes ou pitorescas que, como o nome da coluna sugere, foram manchete há cinquenta anos.

No último domingo foi publicada a manchete “ERNEST HEMINGWAY MATOU-SE ACIDENTALMENTE COM UM TIRO”. Leiam a manchete e prestem atenção no cargo ocupado por um tal de Frank Hewett:


Pois é, há apenas cinquenta anos o hoje muito comum “xerife” ainda era um sheriff. Acontece que não há no Brasil uma figura equivalente ao sheriff americano, o mais próximo talvez seja o delegado de polícia... Quando será que o sheriff se tornou tão corrente a ponto de merecer um aportuguesamento? Será que os filmes e seriados de TV de faroeste (far west) ajudaram?
Atualmente, contudo, o aportuguesamento de palavras estrangeiras parece estar em ritmo acelerado, principalmente em razão da intensidade com que a tecnologia entrou em nossas vidas. A 5ª edição do dicionário Aurélio, por exemplo, já traz os verbetes “blogar” e “tuitar”. Mas... cuidado! Na hora de traduzir, é melhor não nos empolgarmos demais ou corremos o risco de escrever bizarrices como a que lemos outro dia: o sujeito não ia “começar” ou “iniciar”, mas sim startar um projeto... 

E só para concluir o caso de nosso estimado escritor “extinto”, famoso por “seus livros sobre morte e violência”, vejam a notícia que foi publicada no dia seguinte:


Infelizmente, esse Jorge Ros estava coberto de razão, Hemingway realmente cometeu suicídio. Mas acredita-se que uma série de fatores, além do câncer, levaram-no a dar um tiro na cabeça. O autor de “O Velho e o Mar” também sofria de depressão, alcoolismo, perda de visão e paranoia (foi inclusive submetido a terapia com eletrochoques nas tais “Clínicas Mayo”).
A versão oficial do “acidente”, contudo, foi sustentada por cinco anos, até que sua viúva finalmente admitiu publicamente o suicídio.

Assim, em homenagem ao ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, uma pequena oração para vocês traduzirem:

“Our nada who art in nada, nada be thy name thy kingdom nada thy will be nada in nada as it is in nada. Give us this nada our daily nada and nada us our nada as we nada our nadas and nada us not into nada but deliver us from nada; pues nada. Hail nothing full of nothing, nothing is with thee.”

 Do conto A clean, well-lightened place,
escrito por Ernest Hemingway,
publicado em 1926.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

DUAS DICAS

Ontem, dia 03/07/11, foi publicada no suplemento "Revista da TV" do jornal O Globo uma reportagem sobre tradução. São entrevistas com tradutoras que fazem as legendas de algumas séries de TV, como "House" e "Law and Order: SVU". A reportagem é muito legal e mostra a rotina de quem trabalha com esses seriados tão cheios de termos técnicos.
Você pode ler a versão online da reportagem aqui.


Outra dica é o ciclo de conferências "Desafios da tradução literária", que será realizado na Academia Brasileira de Letras durante o mês de julho. As palestras acontecem nos dias 05, 12 e 19, e a entrada é franca. A palestra de amanhã começa às 17h30. A ABL fica na Av. Presidente Wilson, 203, Castelo, no Rio de Janeiro, mas quem não mora no Rio ou não puder ir até lá, pode acompanhar pelo site da ABL, que fará a transmissão ao vivo. Mais detalhes sobre os palestrantes e os temas abordados, clique aqui.


domingo, 3 de julho de 2011

CISNE NEGRO

Acabamos de assistir ao filme CISNE NEGRO (Black Swan), do diretor Darren Aronofsky.




O filme é muito bom, tem um clima assustador, figurino sensacional, música ótima e boas interpretações. Mas o que também nos chamou a atenção foi a qualidade das legendas em português do DVD, distribuído pela Fox. Elas não são sucintas demais (vocês sabem, quando o sujeito diz "Good Morning! How are you?" e a legenda mostra "Oi") e são bastante fiéis às gírias, locuções e expressões idiomáticas. 

Uma coisa interessante foi a ausência de palavrões nas legendas. Por exemplo, em uma cena "fucking little whore" ficou "vagabundinha", e em outra "would you fuck that girl?" virou "transaria essa garota?". Sabemos que é política de algumas empresas de legendagem não fazer uso de palavrões, mas às vezes dá a impressão de que a intensidade da cena ou a intenção dos personagens se perde um pouco com a falta do palavrão, suavizando demais o contexto...

Em relação às opções do tradutor, só uma cena despertou nossa curiosidade:




A expressão spruce up, significa, literalmente, "enfeitar-se", "arrumar-se", "ficar mais bonita". Nesta cena, a Mila Kunis está perguntando para a Natalie Portman alguma coisa do tipo "Quer dar uma incrementada no visual?". Suas segundas intenções são sugeridas apenas visualmente, tanto pela peça de roupa oferecida como pela expressão maliciosa da personagem.
O tradutor do DVD, contudo, em vez de deixar a insinuação apenas por conta da imagem, optou por colocar tudo em palavras, inclusive mencionando o tal "colete" em uma pergunta adicional. 
De qualquer forma, o importante é que logo em seguida as coisas esquentam bastante entre a Mila e a Natalie, e a gente nem se liga mais nas legendas...